
A preocupação com as mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente tem crescido significativamente nos últimos anos. A conscientização ambiental somada ao aumento de episódios de catástrofes climáticas tem levado muitas pessoas, em especial crianças e adolescentes, a experimentarem um fenômeno descrito pela Associação Americana de Psicologia como “medo crônico de catástrofes ambientais”, a ecoansiedade.
A ecoansiedade surge como uma resposta emocional à percepção de ameaça à vida oriunda das mudanças climáticas e à sensação de impotência em relação a elas. Caracteriza-se como uma preocupação constante com o futuro do planeta e a sobrevivência das espécies, incluindo a humana.
Um artigo publicado na revista The Lancet Planetary Health em 2020 revelou que o aumento da exposição a eventos climáticos extremos, como furacões, enchentes e incêndios florestais, está associado a um maior risco de problemas de saúde mental. Humor deprimido, ansiedade, insônia, pensamentos obsessivos e até mesmo irritabilidade são alguns dos sintomas presentes na ecoansiedade.
É fundamental não considerar a ecoansiedade como uma questão individual ou como uma patologia. Trata-se antes de uma resposta psíquica legítima a uma situação de ameaça extrema como a pandemia da COVID-19 que acabamos de vivenciar, por exemplo. Coletivizar a questão é tratá-la como um problema de saúde pública oriundo da ausência de políticas públicas locais e globais que realmente promovam a preservação do meio ambiente.
Nesse sentido, uma das direções de tratamento para a ecoansiedade será exatamente o envolvimento político para que transformações na relação do Estado e das grandes corporações com a natureza venham a se efetivar. Para além da participação em movimentos de ativismo ambiental, o engajamento em práticas sustentáveis no cotidiano como coleta seletiva do lixo, redução do consumo, economia de energia, dentre outras ações, pode fortalecer o senso de responsabilidade e participação possível diante da magnitude do problema e contribuir para a redução dos sintomas da ecoansiedade.
Por vezes, as pessoas preferem entrar num estado de negação diante da gravidade das mudanças climáticas do que encarar o problema. Esse estado de negação está diretamente relacionado, dentre outras razões, com a maneira como o assunto vem sendo tratado pelos grandes veículos de imprensa. Na maioria das notícias, o tom alarmante das manchetes são utilizados como estratégia de comunicação, mas o efeito que isso gera é aumentar o medo e o pânico na população e lucrar com o engajamento que esses afetos geram nas redes sociais.
Um dos desafios do nosso tempo é como comunicar essas questões de maneira a envolver as pessoas nas duas frentes necessárias à preservação do planeta, a saber: o enfrentamento político com e contra as grandes empresas e as grandes potências mundiais que mantém uma relação de extrativismo com a natureza, e a adoção de práticas sustentáveis no dia a dia de cada cidadão. É do atravessamento entre ações locais e ações globais, intervenções políticas e empresariais, e engajamento coletivo e individual que poderemos evitar “a queda do céu” como nos alerta Davi Kopenawa.