
Que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, já sabemos. Agora, por que o número de afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão aumentaram 68% de 2023 para 2024?
Vários colegas especialistas na temática concordam que o aumento do custo de vida, as condições de trabalho e os impactos da pandemia estão entre as causas principais.
Vimos os preços dos alimentos subirem 55% em poucos anos, ao passo que o salário das pessoas não cresceu proporcionalmente. Trabalha-se muito mais para poder manter determinado padrão de vida, o que contribui para uma sensação de insuficiência e de insegurança que intensificadas podem levar a quadros de ansiedade e de depressão.
O ambiente de trabalho também é fator determinante na saúde dos trabalhadores. O corte de pessoal nos últimos anos contribuiu para o aumento da competitividade entre trabalhadores podendo resultar em isolamento e medo constante de perder o emprego. Além disso, o assédio moral no trabalho é um fator de risco para a saúde mental.
A pandemia acabou, mas os impactos sociais e subjetivos que ela produziu ainda se farão presentes por um tempo. Faz parte da cultura brasileira tentar “deixar para lá” nossos traumas sociais e coletivos. Não falamos mais dos impactos da pandemia ainda que eles estejam diante de nossos olhos. A elaboração dessa experiência traumática ainda está em curso e muitas pessoas seguem com a saúde mental abalada desde então.
Para além do cuidado individual em saúde mental com psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico quando necessário, pensar em estratégias coletivas de cuidado, práticas de promoção de saúde que as empresas e instituições precisam desenvolver e em políticas públicas, especialmente voltadas para a redução do custo de vida da população, são caminhos fundamentais para tentarmos reduzir esse quadro crítico.