
Há muito a ser dito sobre a série Adolescência da Netflix. Uma produção brilhante que nos ajuda a olhar de forma crua e cruel para os impactos das redes sociais sobre as crianças e adolescentes.

Que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, já sabemos. Agora, por que o número de afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão aumentaram 68% de 2023 para 2024?

Escrevi esse texto numa tarde de um dia qualquer durante a pandemia que assola 2020. Ele é efeito de muitos atravessamentos, de uma polifonia de sentidos que me atravessa nos últimos tempos. Escrevi como forma de dar corpo a algo que para mim ainda é tão sem forma e tão delicioso e difícil de habitar.

Vivemos tempos acelerados. A quantidade de informações que recebemos diariamente através das redes sociais intensifica em nós a experiência da aceleração, como se fosse possível absorver e lidar bem com a quantidade exorbitante de estímulos a que somos expostos todos os dias.

Uma das questões que cada vez mais tem ficado evidente no contemporâneo é que o sofrimento psíquico é uma produção social ou, dito de outro modo, que o sofrimento psíquico é um problema político. Sintomas como ansiedade, depressão, compulsões, insônia e burnout estão cada vez mais presentes na clínica. Mas não podemos escutá-los como quadro de saúde mental de determinado/a paciente. Estes sintomas são produtos do tempo em que vivemos, efeitos diretos na saúde mental das pessoas provocados pelo contexto social.

Na última semana dei uma palestra para educadores no congresso organizado pelo sindicato dos profissionais da educação da cidade de São Paulo. O tema da palestra foi saúde mental no contexto escolar, em especial, abordando questões relativas a bullying e racismo na escola.

A preocupação com as mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente tem crescido significativamente nos últimos anos. A conscientização ambiental somada ao aumento de episódios de catástrofes climáticas tem levado muitas pessoas, em especial crianças e adolescentes, a experimentarem um fenômeno descrito pela Associação Americana de Psicologia como “medo crônico de catástrofes ambientais”, a ecoansiedade.

Nos últimos episódios de cada temporada do reality RuPaul's Drag Race, a apresentadora mostra para as finalistas fotos de quando eram crianças e pergunta a elas o que diriam hoje para a criança que foram. Costuma ser um momento em que as finalistas se emocionam muito ao se lembrarem das dores e delícias que compõem suas histórias.

Quem chega para dar início a um processo terapêutico o faz porque está lidando com alguma questão difícil que tem lhe causado inquietação, preocupação, angústia ou até mesmo enfrentando algum quadro clínico mais delicado de saúde mental.

As redes sociais funcionam por meio da produção massiva de imagens e discursos, em sua maioria, voltados a estilos de vida, quer dizer, voltados a projetar imagens por vezes idealizadas sobre determinadas maneiras de conduzir a vida e de se conduzir na vida.

A segurança psicológica tem se tornado um tema cada vez mais relevante no contexto organizacional. Refere-se ao grau de confiança, respeito e apoio mútuo que existe em um ambiente, permitindo que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões, fazer perguntas, assumir riscos e serem autênticas sem o medo de retaliação.

A luta antirracista é uma luta pela descolonização. A instauração do sistema colonial nos séculos XV e XVI não pôde se dar senão por meio da violência. Foi através de variadas e sistemáticas práticas de violência contra africanos e indígenas que as colônias se estabeleceram no continente americano.

O autocuidado deve ser um ritual diário. Uma das características do contemporâneo é o esvaziamento do tempo. Esvaziamento de sentido do tempo. Ele passa sem que percebamos o que fizemos dele, envolvidos que estamos em trabalhos, notícias, notificações mil, imagens múltiplas de múltiplos dispositivos que nos consomem e nos dão a ilusão de que somos nós a consumir.

Depois de passar a segunda-feira atendendo meus pacientes do dia, fui ler o tal artigo crítico ao novo trabalho da Beyoncé. A crítica a uma obra faz parte do trabalho, em especial no campo das artes. Não há problema na expressão da crítica, mas no seu conteúdo. Parece que a antropóloga considera a reprodução de imagens do poderio de impérios africanos como sendo insuficientes para o debate racial nos dias de hoje. É quase como se ela dissesse que voltar os olhos a um passado de glória que, num certo sentido, não existiria mais, fosse insuficiente para resolver o problema do racismo no contemporâneo.

A psicanalista Neusa Santos Souza no livro ‘Tornar-se negro’ afirma que “no Brasil, nascer com a pele preta e compartilhar de uma mesma história de desenraizamento, escravidão e discriminação racial não organiza, por si só, uma identidade negra”¹. O que isso significa e quais as implicações para as pessoas negras?

Como se relacionar com alguém que segue pelo mundo com uma fratura exposta? Como suportar a quebrada do outro sem tentar fazer uma torção para o outro lado de modo que a superfície de contato volte a ser lisa? Este é um desafio para amigos e amores brancos.

Há muito a ser dito sobre a série Adolescência da Netflix. Uma produção brilhante que nos ajuda a olhar de forma crua e cruel para os impactos das redes sociais sobre as crianças e adolescentes.

Que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, já sabemos. Agora, por que o número de afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão aumentaram 68% de 2023 para 2024?

Escrevi esse texto numa tarde de um dia qualquer durante a pandemia que assola 2020. Ele é efeito de muitos atravessamentos, de uma polifonia de sentidos que me atravessa nos últimos tempos. Escrevi como forma de dar corpo a algo que para mim ainda é tão sem forma e tão delicioso e difícil de habitar.

Vivemos tempos acelerados. A quantidade de informações que recebemos diariamente através das redes sociais intensifica em nós a experiência da aceleração, como se fosse possível absorver e lidar bem com a quantidade exorbitante de estímulos a que somos expostos todos os dias.

Uma das questões que cada vez mais tem ficado evidente no contemporâneo é que o sofrimento psíquico é uma produção social ou, dito de outro modo, que o sofrimento psíquico é um problema político. Sintomas como ansiedade, depressão, compulsões, insônia e burnout estão cada vez mais presentes na clínica. Mas não podemos escutá-los como quadro de saúde mental de determinado/a paciente. Estes sintomas são produtos do tempo em que vivemos, efeitos diretos na saúde mental das pessoas provocados pelo contexto social.

Na última semana dei uma palestra para educadores no congresso organizado pelo sindicato dos profissionais da educação da cidade de São Paulo. O tema da palestra foi saúde mental no contexto escolar, em especial, abordando questões relativas a bullying e racismo na escola.

A preocupação com as mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente tem crescido significativamente nos últimos anos. A conscientização ambiental somada ao aumento de episódios de catástrofes climáticas tem levado muitas pessoas, em especial crianças e adolescentes, a experimentarem um fenômeno descrito pela Associação Americana de Psicologia como “medo crônico de catástrofes ambientais”, a ecoansiedade.

Nos últimos episódios de cada temporada do reality RuPaul's Drag Race, a apresentadora mostra para as finalistas fotos de quando eram crianças e pergunta a elas o que diriam hoje para a criança que foram. Costuma ser um momento em que as finalistas se emocionam muito ao se lembrarem das dores e delícias que compõem suas histórias.

Quem chega para dar início a um processo terapêutico o faz porque está lidando com alguma questão difícil que tem lhe causado inquietação, preocupação, angústia ou até mesmo enfrentando algum quadro clínico mais delicado de saúde mental.

As redes sociais funcionam por meio da produção massiva de imagens e discursos, em sua maioria, voltados a estilos de vida, quer dizer, voltados a projetar imagens por vezes idealizadas sobre determinadas maneiras de conduzir a vida e de se conduzir na vida.

A segurança psicológica tem se tornado um tema cada vez mais relevante no contexto organizacional. Refere-se ao grau de confiança, respeito e apoio mútuo que existe em um ambiente, permitindo que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões, fazer perguntas, assumir riscos e serem autênticas sem o medo de retaliação.

A luta antirracista é uma luta pela descolonização. A instauração do sistema colonial nos séculos XV e XVI não pôde se dar senão por meio da violência. Foi através de variadas e sistemáticas práticas de violência contra africanos e indígenas que as colônias se estabeleceram no continente americano.

O autocuidado deve ser um ritual diário. Uma das características do contemporâneo é o esvaziamento do tempo. Esvaziamento de sentido do tempo. Ele passa sem que percebamos o que fizemos dele, envolvidos que estamos em trabalhos, notícias, notificações mil, imagens múltiplas de múltiplos dispositivos que nos consomem e nos dão a ilusão de que somos nós a consumir.

Depois de passar a segunda-feira atendendo meus pacientes do dia, fui ler o tal artigo crítico ao novo trabalho da Beyoncé. A crítica a uma obra faz parte do trabalho, em especial no campo das artes. Não há problema na expressão da crítica, mas no seu conteúdo. Parece que a antropóloga considera a reprodução de imagens do poderio de impérios africanos como sendo insuficientes para o debate racial nos dias de hoje. É quase como se ela dissesse que voltar os olhos a um passado de glória que, num certo sentido, não existiria mais, fosse insuficiente para resolver o problema do racismo no contemporâneo.

A psicanalista Neusa Santos Souza no livro ‘Tornar-se negro’ afirma que “no Brasil, nascer com a pele preta e compartilhar de uma mesma história de desenraizamento, escravidão e discriminação racial não organiza, por si só, uma identidade negra”¹. O que isso significa e quais as implicações para as pessoas negras?

Como se relacionar com alguém que segue pelo mundo com uma fratura exposta? Como suportar a quebrada do outro sem tentar fazer uma torção para o outro lado de modo que a superfície de contato volte a ser lisa? Este é um desafio para amigos e amores brancos.